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17 de junho de 2009:
Após assistir a entrevista de Miguel Nicolelis,
Jorge Nóvoa escreveu a Ricardo Neves, médico endocrinologista:
Não
sei se você percebeu a mudança para um paradigma
anti-cartesiano e ao mesmo tempo, a força do fenômeno
da historicidade para a identidade do cérebro. Na verdade
aquela sua idéia de que o inconsciente está em todo
corpo (proveniente de Grodeck) ele retoma dizendo que os órgãos
do corpo são extensões do cérebro.
Comete um pequeno deslize de cronologia histórica (sobre
largas medidas), dizendo que desde a Idade Média se conhece
o fenômeno dos membros amputados que são sentidos
(inclusive com suas dores), mas citando um exemplo (o de Cosme
e Damião) ligado ao Império Romano.
No mais, concordo inteiramente com ele sobre a necessidade da
superação da antiga divisão social do trabalho
entre as disciplinas acadêmicas que nós chamamos
de ciências, mas não porque o cérebro (apenas
é tudo), mas também porque a realidade é
tudo. Marx (mais uma vez) dizia que conhecia uma única
ciência: a ciência da história que podemos
colocá-la arbitrariamente entre história natural
(ciências da natureza) e história social (ciências
sociais).
Evidentemente nossa convergência é epistemológica
pela simples razão de que não conheço empiricamente
o funcionamento do cérebro. Eu só posso deduzir.
Mas, o fim dos compartimentos estaques do cérebro foi definitivamente
decretado e os trabalhos de gente como Miguel só vem fazendo
comprovar. Existe o Jean-Pierre Changeaux de quem deixei o livro
sobre ética com você, que dizem ser também
uma das maiores autoridades do mundo em neurologia. Ele parece
recusar as divisões estruturais, topologias propostas por
Freud. Precisamos confrontar, esse livro mais célebre de
divulgação denomina-se L´homme neuronal.
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